Caso laboratorial – Confecção de Prótese Parcial Removível (PPR)

Confecção de Prótese Parcial Removível (PPR)

Hoje vamos abordar um caso laboratorial de Prótese Parcial Removível (PPR).

O caso a seguir trata-se de uma Classe II de Kennedy modificação 2 superior, um caso dentomucosassuportado (essa é a classificação funcional que estuda o meio que a prótese receberá a carga de mastigação e transmitirá a mesma ao osso maxilar). A presença dos molares 17 e 16 irá possibilitar um excelente meio de transmissão de carga para o osso maxilar, pois os mesmos não apresentam reabsorção óssea. Ainda possuem raízes com volume, numerosas e com bastante ligamento periodontal ,o que garante a estabilidade desses elementos e consequentemente da Prótese Parcial Removível (PPR). (Figura1)

Molares para confecção de prótese fixa
Figura 1

 

Já o elemento 25, que se encontra isolado do lado oposto do arco, é o nosso elemento que se encontra mais vulnerável às forças de mastigação, pois, além de ser um pilar vizinho a uma extremidade livre, ainda é o único dente deste hemiarco. Desta forma, deve-se direcionar o planejamento de uma forma a minimizar os eventos danosos que a carga de mastigação pode exercer sobre ele.

Porém, o caso não se limita apenas aos dentes 17, 16 e 25. Temos a presença do elemento 13, um canino totalmente saudável e com raiz longa e que será o responsável por diminuir em muito o movimento de alavanca sobre o dente 25.

No entanto, para que se possa entender como estabilizar os movimentos de alavanca e de instabilidade gerados pela PPR quando em função, é importante saber identificar o Polígono de Suporte, afim de se executar um planejamento de forma simples e eficiente.

Polígono do suporte

O Polígono de Suporte trata-se de uma linha imaginária que traçamos sobre o modelo. É utilizado para identificar o local onde as cargas de mastigação irão ser dissipadas com maior eficiência, trazendo menor dano ao periodonto. Usamos os apoios como referência, pois estes são os responsáveis por gerar uma das forças que incidem sobre a PPR, podendo gerar danos aos elementos biológicos, que é a força da alavanca (essa força será tema de um artigo futuro).

Veja as imagens abaixo:

poligono do suporte dental cremer lab
Figura 2

 

Na figura 2, a linha vermelha representa o polígono do suporte. Nesse planejamento não iremos repor os elementos 18 e 28, por isso a linha que sai do 17 vai até o final do 27, enquanto uma 2º linha avança até o local do apoio do elemento 25. (Sempre em extremidades livres devemos usar apoios mesiais indiretos, pois apoios diretos potencializam em muito o dano do movimento de alavanca).

 

 

 

poligono suporte para confecção de ppr
Figura 3

 

Na figura 3 observa-se o surgimento de uma linha azul. Esta representa uma linha que pode neutralizar o movimento de alavanca sobre o dente 25. Nesse caso, além do elemento 13 ser um ótimo apoio e retentor direto, o mesmo também irá exercer uma importante função indireta: a de impedir o movimento de alavanca. Isso pois, quando o paciente morder algo duro na região anterior, o apoio do 13 irá impedir que essa área se movimente, pressionando a mucosa e tracionando o elemento 25 para mesial. O mesmo acontecerá quando o paciente morder algo na extremidade livre. Só que nesse caso, o retentor localizado na vestibular do canino irá ajudar a diminuir a ação da alavanca, impedindo que a mucosa da extremidade livre seja pressionada e que, assim, seja estimulada a perda óssea dessa região. Bem como irá impedir que o elemento 25 seja tracionado para distal.

 

 

Após esse diagnóstico primário e fundamental para elaboração do caso, realizamos o planejamento com o delineador através da técnica de Applegate e o planejamento teve o seguinte resultado:

  • Conector maior Tipo Duplo ou barra palatina que permite o contato da língua com o palato e que preserva a totalidade das sensações na hora da alimentação.
  • Grampo geminado nos molares 17 e 16, que contribuíram muito com a estabilidade do trabalho na retenção e na estabilidade no plano horizontal.
  • Grampo de ação de ponta no canino 13, com apoio a nível de cíngulo e asas de estabilidade na distal e mesial.
  • Grampo de ação de ponta no pré molar 25, com apoio indireto e braço de oposição (no caso da calibração do dente 25, diminuímos um pouco a calibragem e deixamos ele mais delicado. Isso para favorecer a elasticidade do mesmo, diminuindo a tensão causada sobre o nosso elemento que está no meio da região mucosadentossuportada dessa PPR).
  • Selas para fixar os elementos que serão substituídos pela PPR (dentes, osso e mucosa).

Vejamos as fotos a seguir da execução do caso:

modelo de trabalho planejado e delineado
Figura 4

Abaixo temos o modelo de trabalho devidamente planejado e delineado.

Modelo odontológico com hidrocoloide reversível em revestimento de quartzo a base de binder
Figura 5

Aqui já podemos ver o modelo duplicado com hidrocoloide reversível (duplicador para fundição de cromo k27) em revestimento de quartzo a base de Binder Ethyl Silibinder 40%.

Que graças à tecnologia moderna e fornecedores sérios tem se mostrado com uma fidelidade incrível quanto ao controle de dimensões mais rigorosos e, dependendo da técnica de duplicação utilizada, não fica diferente dos revestimentos fosfatados que temos no mercado.

 

Prótese parcial removível - desenho
Figura 6

Nessa imagem vemos um esquema de linhas um pouco diferente: a linha roxa representa o fulcro, a linha azul o neutralizador do fulcro, já as linhas amarelas servem para auxiliar o técnico na elaboração do desenho do conector maior, deixando ele mais eficiente para auxiliar no suporte dessa PPR.

 

 

 

Prótese total removível desenho totalmente elaborado
Figura 7

 

Aqui temos o desenho totalmente elaborado. Note os detalhes ocultos: se dividirmos esse arco em 2 lados, o lado dos elementos 13, 16 e 17 pode ser considerado dentossuportada e, por isso, nosso conector maior pode ser mais estreito sem amplo contato com a mucosa. Porém, a medida com que ele avança para o lado onde há apenas o 25, nota-se que o conector maior ganha largura e aumenta seu contato com a mucosa, pois desse lado do arco o suporte será mucosadentossuportada.

 

prótese parcial removível - enceramento concluído
Figura 8

 

Aqui vemos o enceramento concluído, observe que existe um finish line que vai da região do 15 até a região do 27 de forma contínua, o objetivo é que ao acrilizar essa prótese, o técnico crie uma superfície uniforme e sem interrupções do acrílico, possibilitando maior conforto para a língua do paciente que não achará espaços.

 

 

 

Sobre o autor:

Prof João Paulo Machado

Consultor técnico de PPR da Talmax

Fundador do movimento Roachnologos

Comentários

3 Comentários
  1. Valiosas dicas João, excelente seu planejamento e como sempre a ceroplastia impecável. Sempre aprendo algo com você, obrigado por compartilhar conhecimentos conosco m. Parabéns pela sua trajetória. Sucesso sempre! TPD Cláudio Vieira

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