Revestimentos fosfastados e à base de binder

É notável a discussão acalorada entre as partes que defendem sua opinião sobre o revestimento escolhido para ser a base de suas PPRs; cada um utiliza um revestimento que considera ser o mais viável para obter um trabalho com qualidade e padrão que atenda às necessidades de seus clientes (cirurgiões dentistas).

Aqui nesse artigo abordarei os aspectos laboratoriais do dia a dia e caso os leitores queiram se aprofundar na composição química desses metais com informações mais técnicas e científicas deixo como recomendação o livro: Phillips materiais dentários | Editora Elsevier.

Cada um dos revestimentos trará benefícios frente ao outro e é importante ressaltar que: independentemente da opção escolhida o grande diferencial será a escolha de um fornecedor que tenha um rigoroso controle no padrão de qualidade do seu produto.

Revestimentos de quartzo aglutinados por sílicato de etila (binder)

Atualmente no Brasil esse é o modelo mais escolhido entre os laboratórios de produção; e qual será o motivo ou motivos para essa escolha? Talvez a resposta imediata que ocorra em sua mente seja o preço!! E certamente esse é um forte motivo o revestimento a base de Binder chega a gerar uma economia de 70% quando comparado ao revestimento fosfatado.

Mas, minha opinião sobre a pergunta é a estabilidade do quartzo (como assim você pode me perguntar? O quartzo não pode ser mais estável que o fosfatado!?) eu concordo com seu pensamento realmente o fosfatado tem um potencial de estabilidade muito mais preciso que o quartzo, porém, o que eu quero dizer é que durante o processo de manipulação a maioria dos laboratórios de PPR não utilizam balanças e medidores para proporcionar Líquido/ acabam fazendo sempre no “olhômetro” (prática que eu, João Paulo, não recomendo) e mesmo uma hora ficando mais seco, outra hora, mais mole o resultado final é sempre muito parecido, o que não acontece com o fosfatado onde a menor diferença ou um pequeno erro de cálculo pode resultar no fracasso do trabalho.

Em um laboratório de produção normalmente são preparadas quantias grandes de revestimento (2 quilos, 3 quilos de uma vez) e logo utilizar uma quantidade tão grande de revestimento fosfatado não é recomendado, pois ele pode iniciar o processo de tomada presa antes de que a inclusão seja concluída.

Como o consumo de revestimento é muito alto dentro dos laboratórios de PPR acaba o fator financeiro também tendo um peso significativo.

>>>Leia também: Gestão de laboratório odontológico: como ela ajuda a aumentar seus lucros

Pois laboratórios que usam até 500 quilos de revestimento por mês sentem uma grande diferença na hora de pagar a fatura. Esse revestimento tem como um diferencial a facilidade de soltar do metal na hora da desinclusão. O fato de possuir uma granulometria maior facilita o escape do ar por entre os espaços, o que facilitam preenchimento total da fundição.

Embora haja um falso pensamento que é impossível realizar trabalhos de precisão com revestimentos de quartzo, eu digo que é possível sim, porém outra vez afirmo a importância de se ter um fornecedor de confiança com um histórico de constância e padrão de qualidade. Por se tratar de um processo um tanto mais simples que o fosfatado muitos aventureiros acabam se entrando no ramo de revestimento de quartzo como uma forma de ganhar um dinheiro, mas sem o devido cuidado e respeito com os protocolos e pesquisa da qualidade do quartzo extraído podem oscilar muito a sua qualidade deixando os laboratórios amargarem um grande prejuízo pelo resultado final das peças não serem o ideal.

Manipulação do revestimento de Quartzo
Revestimentos fosfatados

Assim como os de quartzo os revestimentos fosfatados possuem grande variedades de marcas e cada um possui particularidades que podem se adaptar de forma diferentes na dinâmica do laboratório. Todo revestimento fosfatado passa por um processo de industrialização mais complexo e com testes de controle de expansão bem rigorosos, a qual seria à principal razão de laboratórios escolherem esse revestimento como base de suas PPRs, a resposta é a previsibilidade dos resultados, desde que seguindo as recomendações do fabricante e as proporções líquido + água + pó aliadas a espatulação e seguindo os protocolos de escalada de temperatura do forno, os resultados serão sempre os mesmos. Essa previsibilidade é a tranquilidade que todos procuram para trabalharem tranquilos sabendo que os resultados não serão diferentes.

Ressalto que falhas humanas, quebra de protocolos e falta de atenção também trarão consequências prejudiciais ao trabalho!

É sempre bom pontuar que devida a granulometria dos fosfatados serem bem menores é natural que durante a injeção do metal no ponto de fundição o escape do ar que está dentro do anel enfrente maior dificuldade para ser eliminado entre as partículas do revestimento.

Logo, é bom deixar o anel em temperatura mais alta para que o metal consiga entrar e fluir com mais facilidade empurrando o ar para fora, alguns técnicos usam a “técnica de respiros” que são lugares por onde o ar irá escapar.

Para solucionar falhas de pontas de grampos ou selas incompletas podemos aumentar um pouco as voltas da centrifuga entre 10% e 25% para aumentar assim a força do coice e facilitar o preenchimento da peça.

Características do revestimento fosfatado

O revestimento fosfatado tem como característica grudar muito mais no metal dificultando um pouco mais o processo de desinclusão, então não estranhe isso, e normalmente as peças ficam com um tom de verde mais escuro antes do jateamento.

Porém é notável a superfície da peça sair com um aspecto mais liso nesse revestimento por ele proporcionar um molde mais liso devido sua granulometria o que facilita a usinagem das peças.

Manipulação do revestimento fosfatado

É sempre recomendável seguir as recomendações dos fabricantes. Cada revestimento tem em sua bula a própria proporção líquido-pó para garantir o melhor desempenho.

Nota: ao mudar de revestimento deve-se observar as diferenças das recomendações dos fabricantes.

Caberá sempre ao técnico escolher a matéria prima que mais lhe agrade e atenda as suas expectativas, ponderando sempre o custo-benefício e analisando os prós e os contras de cada um dos revestimentos e saber que é possível trabalhar com qualquer um dos 2 e até mesmo utilizar os 2 ao mesmo tempo.

Uma pergunta que respondo com frequência é, “é possível fazer os modelos para escultura com fosfatado e o bloco de inclusão com o quartzo?” e eu sempre respondo que: “se a expansão dos 2 forem compatíveis o sucesso será resultado sempre.”

Bem esse é um artigo baseado na minha opinião sobre os 2 revestimentos.

Um forte abraço e até o próximo artigo.

Sobre o autor

João Paulo Machado | @roachnologos

Consultor da Aalbadent Vera Brás
Fundador do movimento Roachnologos
Membro do grupo Prótese Total Treinamento
Proprietário do Laboratório Eliel
Palestrante e ministrador de cursos

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Comentários

1 comentário
  1. Grande João Paulo, parabéns pelo profissionalismo e dedicação. Você faz um ótimo trabalho em prol das PPRs. Um abraço Renata Blumer.

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